Paradoxos do nosso Plano de Remuneração

Armadilha da Precariedade

Ganhos Localizados x Perdas Generalizadas

União da Categoria e visualização do Novo PCAC

Caros, vivemos os efeitos e artimanhas do plano de remuneração da Companhia, isto é, todos os adicionais se dão, muito mais pela condição precária do trabalho do que pelo trabalho em si.

Quanto mais adicionais, menos se dá valor ao trabalho em si, e os empregados cada vez mais têm que buscar se expor às piores condições para chegarem a salários mais dignos.

A divisão e suas consequências

Nessa ciranda da precariedade, cada grupo luta pelo reconhecimento de seus adicionais frente às precariedades de suas condições e propiciam à Companhia transacionar e permanecer com ambientes, condições ou práticas, precárias ao trabalho e, ainda, estabelecer indenizações, pelos potenciais danos a que cada grupo esteja submetido, como fossem recompensas, comparando o valor infinito da perda de uma vida, frente, por exemplo: à deterioração lenta e gradual da saúde física e mental, pela execução rotineira de horas-extras; pela exposição a compostos químicos danosos; ou pela perda diária de, mais de duas horas de vida por dia (https://petroleiro2020.wordpress.com/o-poder-e-os-sistemas-de-controle-no-mundo-ou-do-mundo/#comment-102), mortas pelo trânsito de ida e volta para o trabalho na Companhia.

É a comparação do infinito, a perda da vida, com os danos que se acumulam do dia-a-dia. Temos, como efeito, a aplicação arbitrária do enorme achatamento dos salários dos trabalhadores que não estão tão expostos à morte abrupta por acidente, mas, sim, aos danos cumulativos do dia-a-dia.

O reconhecimento dos riscos a que as várias funções na Companhia estão expostas não deveria significar a desvalorização das outras funções. No entanto, não é isso que vem acontecendo.

A armadilha psicológica: o risco e o dano como vantagens

O modelo remuneratório vigente é uma armadilha contra os trabalhadores, pois estes passam a disputar o trabalho em condições precárias para terem valorizados os seus trabalhos em si. E, com isso, psicologicamente, ficam presos na armadilha: se lutavam para se submeter ao risco e à precariedade do local de trabalho, como lutarão pelo respeito ao trabalhador considerando segurança e saúde? Se mais ganham pelos riscos e condições precárias, se as retirarem, mitigarem, acabarão por ter seus salários reduzidos, perderão? Isto é, se “desejaram” se submeter, como se defenderão do risco, do dano e da morte? Pois, pior, no final das contas, os acidentes e as mortes são motores para a “valorização” de parte dos trabalhadores?  Ou, de fato, na estruturação do orçamento de pessoal, os acidentes e as mortes são mais utilizados para a desvalorização da outra parte dos trabalhadores?

Achatamento e Falso Reconhecimento

Fosso Salarial e Âncora de Negociação (comparação interna)

Insatisfação e Auto-sabotagem

Política de Ganhos Localizados e Perdas Generalizadas

Essa dinâmica tem proporcionado um enorme achatamento salarial da maior parte da categoria, frente a um falso reconhecimento daqueles que estão alocados nas atividades de maior risco de morte. Isto, pois, o fosso salarial, intencionalmente criado, proporciona uma âncora psicológica de negociação, a da simples comparação interna, que coloca aqueles que estão em melhor condição, mesmo que muito abaixo da condição que fazem por merecer, como privilegiados e aproveitadores. Até pior, contribui para que, por insatisfação da maior parte da categoria, ao invés de se apontar o que deve melhorar para honrar a sua contribuição, se aponte, infantilmente (por inveja, revolta e sentimento de desvalor, estruturados e trabalhados estrategicamente), as vantagens ou ganhos de colegas como privilégios. É a vitória gloriosa da Política de Ganhos Localizados e Perdas Generalizadas, isto é, o patrão promove uma estrutura de salários em que os trabalhadores, no final das contas, se sabotam. E a estratégia de implementação dessa política passa:

Tudo, com o objetivo planejado para reduzir, enormemente, a participação dos trabalhadores no bolo que tanto fizeram e fazem crescer.

Exemplos desses fatos . . . são inúmeros. Um, agora (http://www.fup.org.br/noticias.php?id=5574), que expressa parte disso, muito claramente, é a gratificação provisória para os que estão em regime especial de trabalho, mas foram deslocados para o regime administrativo (Acordo para atividades especiais em horário administrativo). A remuneração do regime administrativo é tão ruim, que retirar o sujeito do regime especial é colocá-lo em regime de perdas e danos irreparáveis: a sua saúde física, mental, financeira e econômica, à segurança de sua família. E esse regime administrativo, que representa enormes perdas, é o regime em que a maioria dos empregados da Companhia está alocada e sobrevive.

Compressão Salarial (Adicionais/Congelamento da Base de incidência/Inflação)

Nesse quadro, constatamos a corrosão do valor do trabalho em si (especialmente de todos aqueles que viabilizam as condições para a produção, mas não a controlam fisicamente) e uma aparente valorização de quem mais se expõe aos riscos de morrer abruptamente, mas, de fato, a desvalorização da Categoria como um todo. O fenômeno se dá pelo que chamam compressão salarial, isto é, acrescenta-se mais e mais rubricas na composição salarial que, de fato, ao longo do tempo, terminam por reduzir aquilo que um dia foi o principal, devido a inflação e ao congelamento dessa base de incidência das gratificações e adicionais. Isto é, a fim de reduzir o custo dos múltiplos, acabam por congelar e achatar o principal, a base. E como a maioria da categoria somente ganha o principal, o dano é muito grande. Pensa-se e promove-se muito a possibilidade de passar a fazer parte do time que surfa as ondas dos adicionais, mas, de fato, vive-se com o salário achatado. É o ilusionismo em ação: a perspectiva que não se realizará para a maioria dos trabalhadores.

Pauta utilizada para dividir e massacrar

Assim, nossas pautas de reivindicação são um prato cheio para os negociadores da Companhia as analisar e avaliar de modo a “concederem” (Vocês não pediram isso?! Então toma !!) e mais dividirem a categoria, reduzindo, ao máximo, o valor da contribuição da mesma pelos enormes resultados e lucros, classificando trabalhos, privilegiando uns em detrimento de outros, de forma a estabelecer desvalores no sentimento de parte da categoria, e sentimentos de privilégios de uma menor parte que, mais prontamente, pode lhe causar sérios prejuízos (processo de cooptação).

Por isso, iniciam a negociação por partes, adicionais, benefícios, vantagens, incentivos a uns grupos e a outros não, com o objetivo de manter esse estado de coisas que a maioria dos petroleiros tem expressado: a desvalorização de suas carreiras e remuneração.

http://portalpetrobras.petrobras.com.br/conteudo/petr_banco_anexos/rh/Inf_RH_61_2011.pdf

http://portalpetrobras.petrobras.com.br/conteudo/petr_banco_anexos/rh/Inf_RH_62_2011.pdf

O que nos Une? Que estratégia nos beneficia?

No quadro que estamos vivendo, tanto os índices de reposição das perdas de inflação e de aumento real, quanto o PCAC, nos unem, o “resto” tem sido instrumento para nos dividir ou cooptar. O foco e coordenação (Equilíbrio de Nash – Uma Mente Brilhante) devem ser nossos e o diversionismo compensatório da Companhia.

BNDES paga 54,64% mais que a PETROBRAS

Portanto, talvez, a apresentação à categoria de um novo PCAC , simples, carreiras unificadas (mesma escadaria para todas as profissões), com as tabelas salariais e as regras de transição expressas, pudesse fazer esse papel unificador. Como gestores desse serviço, gestão sindical e negociação, os Sindicatos precisam traduzir o etéreo em palpável, a idéia em produto em que, cada empregado possa saber pelo que de fato está lutando, isto é, materializaremos o benefício para o engajamento na negociação e para a união da categoria.

Merecemos um PCAC digno. A exemplo, o BNDES (sem resultados que chegam a 120 Bilhões, Lucros na casa dos 33 Bilhões e sem ter descoberto o Pré-Sal, nem ter a chance de desenvolvê-lo) paga 54,64% mais que a PETROBRAS.

Avaliem e promovam o debate. Repassem o texto e ou o link.

Abraço a todos !!!

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7 respostas para Paradoxos do nosso Plano de Remuneração

  1. Pingback: Eleição de Trabalhador CA_Petrobras_2013 – Declaração de Apoio e Voto em Sílvio Sinedino | Blog do Petroleiro 2020

  2. Pingback: “PrimeiraMão” vira “RH Informa” 4 – Principais Retrocessos da 3ª Proposta – ACT_2011/2012 | Blog do Petroleiro 2020

  3. Pingback: A Grandiosidade da Petrobras deve também se refletir para o corpo de empregados que assim a constroem. | Blog do Petroleiro 2020

  4. A grandiosidade da Petrobras deve também se refletir para seu corpo de empregados.

    Petrobrás envia proposta econômica para FNP. Cadê o ganho real e o PCAC?
    http://sindipetrolp.tempsite.ws/site/?p=10597

    Até a FUP considerou que a Petrobrás voltou a provocar a categoria com uma proposta que não honra nada do que a mesma vem construindo ao londo desses últimos 10 anos.
    http://www.fup.org.br/noticias.php?id=5634

    Aumento “real” de 1,27%, para a ativa, é todo o reconhecimento e respeito que a Petrobras oferece aos trabalhadores que tanto contribuíram, contribuem (https://petroleiro2020.files.wordpress.com/2010/08/criacao-dos-trabalhadores6.ppt) e contribuirão para o País e para a Companhia.

    Considerando a média de aumento real de 5,2% (Folha de pagamento sobe 5,2% acima da inflação (ganho real), em média, no acumulado de 2011 – http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2229691) já se percebe quão defasada está a proposta da Petrobras, relativamente ao mérito e contribuição, que a categoria conquista e entrega ao País. Muito pior, quando a comparamos com os ganhos relativos das indústrias extrativas (62,8%) e de refino de petróleo (42,3%).

    Com o aumento proposto, permanecemos com uma defasagem salarial, por exemplo, da ordem de 53,57%, relativamente, ao BNDES (https://petroleiro2020.wordpress.com/2011/06/11/o-bndes-paga-5484-mais-do-que-o-salario-da-petrobras/).

    Conforme colocamos, não há aumento real em PCAC defasado (https://petroleiro2020.wordpress.com/2011/09/22/aumento-sobre-pcac-defasado-nao-e-real-e-enganacao-ilusionismo-para-tapear-os-trabalhadores/).

    E a dinâmica de “conceder” para dividir e massacrar permanece (https://petroleiro2020.wordpress.com/2011/10/18/paradoxo-do-nosso-plano-de-remuneracao/).

    Falta à Companhia avançar, realmente, na mesma proporção que os trabalhadores fizeram seus Resultados e Lucros avançarem (https://petroleiro2020.wordpress.com/materias-sobre-a-petrobras/), sua riqueza se multiplicar (Pré-Sal e Capitalização), pois, de outra forma, pelo que ela costuma promover como sendo sua prática e imagem (melhor lugar para se trabalhar), de fato, não a honrará, nem, ao menos, às expectativas que inflou e com as quais conquistou o engajamento de seus trabalhadores atuais, que vivem a realidade e têm explicitado internamente o seu descontentamento, bem como daqueles universitários e trabalhadores de outras empresas, que acreditam piamente na imagem sustentada pelas grandiosas propagandas.

    Conquistar novos trabalhadores, por imagens projetadas, que não se concretizam em realidade, não é um caminho equilibrado e justo com quem entrega seu esforço e dedicação, confia sua vida, a contribuir com empreendimento estruturante do País: a Petrobras.

    A grandiosidade da Petrobras deve também se refletir para seu corpo de empregados.

    Abraço a todos !!!

    • Como sabotar a Petrobras? Desestruture as carreiras de seus profissionais.

      Caro André (http://sindipetrolp.tempsite.ws/site/?p=10626&cpage=1#comment-2789), nem uma, nem outra carreira está boa, mas sabemos que no Brasil há uma cultura do anel, do aristocrata, do Senhor e seus Vassalos, que privilegia as carreiras com cargos que exigem formação de nível superior, mas muito mais subavalia e desvaloriza a contribuição das carreiras com cargos que exigem nível médio ou médio técnico. Ainda, por essa cultura, somada a uma falsa visão da igualdade de oportunidades de formação em nível superior, os cargos de nível médio, têm sido considerados como um passo para a formação superior ou uma fase da vida, o primeiro emprego de jovens de classe média.

      Estas visões, incorporadas por muitos gestores e empresas, tem atrapalhado a profissionalização e desenvolvimento de muitos setores, pois, como país, desperdiçamos ao formar técnicos que logo deixarão de exercer suas carreiras, pelas mesmas não lhes oferecerem boas condições e oportunidades.

      Isto é, o sucesso para o técnico é deixar de ser técnico. A carreira técnica não compensa.

      Esta situação, este fato, agrava, realimenta o problema, pois as empresas passam a considerar esses cargos, como típicos de rotatividade, e assumem as distorções culturais como verdade para a gestão.

      Como consequência, não estruturam verdadeiras carreiras, que ofereceriam retribuições mais coerentes com as contribuições que esses profissionais entregam para as corporações, e por isso, não reduzem os desperdícios: do país, com a formação de técnicos que não exercerão a profissão; e da própria empresa, com os investimentos e gastos que, recorrentemente, tem com o recrutamento, seleção, formação, desenvolvimento e, perda e demissão, de conhecimento, desses profissionais.

      Nesse quadro, em defesa de suas carreiras e da preservação do conhecimento na Petrobras, cabe aos trabalhadores se organizarem e formarem a consciência para a valorização dessas carreiras, pois, a passagem do conhecimento, se dará nos próximos anos e, se boa parte dos novos for embora para exercer outra profissão, todo o esforço no convívio de gerações se terá perdido.

      Não adianta investir pela metade: tem que conquistar; formar; promover o convívio de gerações para o co-aprendizado e a preservação e geração do conhecimento; e promover carreira atrativa que mantenha o conhecimento disseminado por toda a Companhia.

      Outro tipo de ação é sabotar o fortalecimento da Companhia para sustentar o enorme crescimento planejado e prometido ao País.

  5. Petrobrás formaliza proposta de cláusulas sociais. Negociação econômica é dia 28
    http://sindipetrolp.tempsite.ws/site/?p=10494

    Caros,
    nessa carta, a Petrobras elenca como “avanço” o que:

    – a Lei, estabelece como obrigação;
    – a Moral, como o mínimo;
    – e a Ética, como uma pequena parte do que é justo.

    Portanto, falta à Companhia avançar, realmente, na mesma proporção que os trabalhadores fizeram seus Resultados e Lucros avançarem (https://petroleiro2020.wordpress.com/materias-sobre-a-petrobras/), sua riqueza se multiplicar (Pré-Sal e Capitalização), pois, de outra forma, pelo que ela costuma promover como sendo sua prática, de fato, não a honrará, nem, ao menos, às expectativas que inflou e com as quais conquistou o engajamento de seus trabalhadores.

    No que se refere às “concessões” ao longo desses anos, as mesmas foram feitas para atrasar a reestruturação da categoria. São aquelas estratégias: dar os anéis, para não perder os dedos OU mudar, para nada mudar.

    Por isso, nesse sentido amplo, considerando a categoria, não há coisas boas, pois os propagados “avanços” tinham e tem como objetivo semearem novos obstáculos para atrasar a categoria e dividí-la em sua união e força. Desse modo, a concessão de “algo aparentemente bom” para uns, mas que se concretiza em dano para a categoria, não pode ser bom. O bom, considera o todo e a parte, e a equidade. No entanto, têm “concedido”, de caso pensado, auxílios, benefícios e adicionais injustos, por não permearem a categoria com equidade. Com esse tipo de ação, desviam o foco de nossas reivindicações do todo para parte, isto é, somente para as incoerências e inconsistências, explicitamente excludentes e injustas que, planejadamente foram concedidas, plantadas, para nos confundir e atrasar.

    E o pior, é que perdemos, muito como categoria, em um quadro de realizações incomparáveis: auto-suficiência, resultados e lucros bilionários crescentes, Pré-sal, Capitalização etc. Abrimos portas para o País . . . que outros estão a mais aproveitar.

    E, na política, como bem sabe, quando não disputamos, não nos fazemos respeitar, já estamos perdendo, pois outros permaneceram a disputar e a se fazer ouvir e respeitar (exemplo: vide BNDES). E dessa forma, permaneceremos na condição, tanto da negociação, quanto do nivelamento, por baixo.

    Nesse quadro de coisas, discuti aqui (https://petroleiro2020.wordpress.com/2011/10/18/paradoxo-do-nosso-plano-de-remuneracao/) o plano de remuneração da Companhia, buscando entender os processos que nos levaram a tal situação de desvalor e descordenação.

    Abraço a todos !!!!

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